Número de matriculados em cursos técnicos aumenta mais de 50%

De olho numa colocação profissional mais acelerada, cresce o número de estudantes que buscam o caminho do ensino técnico. Dados do Censo da Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), analisados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), revelam que as matrículas nessa modalidade de curso passaram de 927 mil, em 2008, para mais de 1,4 milhão, em 2013 — um aumento de mais de 55%. No Distrito Federal, a tendência se repete: apenas na unidade de Taguatinga do Senai, o número de inscritos decolou de 7.854, em 2012, para 14.863, em 2014. “As vagas são criadas em função da demanda, para áreas com carência de mão de obra qualificada”, explica a coordenadora pedagógica da unidade, Valéria Silva. O presidente da Fundação de Apoio à Tecnologia (FAT), Cesar Silva, atribui o crescimento ao interesse dos jovens em começar a trabalhar depressa. “Por um lado, aumentou a necessidade de profissionais com esse tipo de qualificação. Por outro, os mais novos estão preocupados em entrar mais cedo no mercado de trabalho”, avalia.

Mudanças de carreira ou reciclagens são outros motivos que levam estudantes a optarem pelo ensino técnico. Esse foi o caso de Johnatta Oliveira, 25 anos. Ex-militar, ele conclui, em abril, o curso de eletrotécnica do Senai. Ao mesmo tempo, faz o 8º semestre de engenharia elétrica em uma universidade particular. “No técnico, vemos um lado prático da profissão. Na graduação, tem muito cálculo e teoria. Acho que essa experiência a mais vai ser um diferencial quando eu for participar de uma seleção”, diz ele, que pretende trabalhar na indústria. No caso do policial militar Nicodemos Sampaio, 45, a formação em manutenção automotiva faz parte de um parceria entre o Senai e a PM, que deve surtir efeitos positivos na rotina de trabalho. Esse é o quarto curso de reciclagem de que ele participa, sendo o primeiro com dois anos de duração. “É importante me manter atualizado. Depois das aulas, terei condições técnicas para lidar com viaturas de tecnologias mais avançadas”, afirma.

Mais oportunidade
“Encaro o aumento no número de matrículas no ensino técnico como algo bastante positivo porque os cursos levam em conta a empregabilidade. Houve evolução no modelo empresarial: os empregadores estão buscando profissionais mais especializados”, avalia Cesar Silva. De acordo com pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 79% dos formados nessa modalidade de ensino são empregados logo após o curso. Segundo o Senai, 74% dos egressos de formações técnicas da instituição em 2012 encontraram emprego até um ano após a formatura.

Professora do curso técnico em manutenção automotiva no Senai há quatro anos, Lídia Almeida, 23 anos, não encontrou dificuldade em entrar no mercado. Ela optou pelo ensino médio integrado ao curso técnico na área de mecânica de automóveis. Depois, fez graduação em engenharia mecânica. “Sou bem ansiosa e queria logo descobrir em que área profissional gostaria de atuar. Tinha interesse em mecânica, elétrica e informática e, no ensino médio, tive contato com um pouco das três áreas. Acabei me apaixonando pela mecânica”, lembra. Lídia dá aulas para quatro turmas de cerca de 20 pessoas na área de manutenção de veículos e de motos. “Quando concluí o ensino médio, não pensava em ser professora, mas foi algo que aconteceu e que me entusiasma muito”, diz. Uma das vantagens apontadas pela instrutora é a possibilidade de cursos técnicos permitirem o registro em órgãos, como o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), o que amplia o campo de atuação profissional.

A formação em manutenção de veículos está entre as mais procuradas no Senai de Taguatinga, junto aos cursos de edificações, eletrotécnica e segurança do trabalho, segundo a coordenadora Valéria Silva. “Nós mantemos convênios com montadoras, por isso a demanda por profissionais da área é alta. A parte de construção civil é menos atrativa por causa do momento econômico, mas técnicos em segurança do trabalho sempre são procurados porque se tornam essenciais em qualquer tipo de obra.” Cesar Silva aposta que a procura por formação ligada ao bem-estar deve crescer nos próximos anos. “Eu destacaria áreas relacionadas à beleza e à saúde, como enfermagem e cuidado com idosos. Ainda há também muito campo também para alunos de tecnologia da informação e logística”, informa.

Além da sala de aula
Um dos principais desafios na expansão e na melhoria do ensino técnico no Brasil é a formação de professores. “O docente do ensino profissionalizante deve ir além da sala de aula. Muitos começam a trabalhar nessa modalidade de ensino sem uma formação pedagógica adequada”, lamenta Ilalzina Medeiros, coordenadora geral da pós-graduação a distância em educação profissional e tecnológica do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes). O curso começou em 2010 e, desde então, formou cerca de mil professores. “O perfil do aluno de ensino técnico mudou. Eles estão mais exigentes e querem entrar logo no mercado. Por isso, os educadores devem acompanhar essas mudanças”, afirma. Cesar Silva, presidente da Fundação de Apoio à Tecnologia (FAT), destaca a necessidade de maior vivência profissional para dar aulas nessa modalidade. “O ensino técnico precisa de um profissional professor, pois, antes de dar aulas, deve, preferencialmente, adquirir experiência na indústria para transmiti-la aos alunos”, opina.

Do CorreioWeb

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